Medicina reprodutiva

Para Clientes

Medicina Reprodutiva é a área da ciência que lida com a investigação, o diagnóstico, o tratamento da infertilidade, o restabelecimento e a preservação da fertilidade.

 

Um pouco da história

A história da humanidade sempre revelou interesse pela fecundidade. Intervenções e experiências com o processo de reprodução humana datam de alguns séculos, mas foi só no final do século XVI, em 1590, que o estudo da infertilidade ganhou foros de cientificidade com a invenção do microscópio.

Na década de 1970 ocorreram as mais revolucionárias descobertas, capazes de garantir a reprodução humana. Quais?

 

O primeiro marco na Medicina Reprodutiva

Na década de 70, Lesley Brown e seu marido John tentavam há anos ter filhos. O problema diagnosticado era que Lesley, aos 32 anos, tinha as trompas de Falópio bloqueadas. Foi quando no final de 1977, os médicos britânicos Patrick Steptoe e Robert Edwards, especialistas em fertilidade que vinham se dedicando com afinco à pesquisa há mais de quinze anos, decidiram tentar algo pioneiro: uma fertilização in vitro. A técnica era utilizada experimentalmente em ovinos e bovinos e, na época, passou a ser amplamente estudada por cientistas americanos e ingleses.

Os médicos britânicos colheram um ovócito nos ovários de Lesley e fertilizaram-no fora de seu corpo, em laboratório, com o esperma de John. A fertilização se deu em uma proveta e depois de concebido, o embrião foi implantado no útero de Lesley.

A gestação transcorreu normalmente, e os médicos tentaram manter secreta a gravidez de Lesley. Até que o próprio Dr. Patrick Steptoe, temendo que o estresse provocado pela perseguição dos jornalistas colocasse a gravidez em risco, levou Lesley escondida em seu carro e a abrigou na casa de sua mãe.

Foi então que, pouco antes da meia-noite de 25 de julho de 1978 no hospital de Oldham em Bristol, nascia por cesariana o primeiro bebê de proveta do mundo, resultado do processo de fertilização in vitro (FIV): Louise Joy Brown. “Joy” significa “alegria” em inglês.

Os primeiros instantes de vida de Louise foram filmados e o vídeo tornou-se famoso no mundo inteiro. Louise hoje leva uma vida normal, já tendo trabalhando como funcionária dos Correios de Bristol e como enfermeira em uma escola. Atualmente ela está casada e é mãe do menino Cameron, concebido naturalmente. Alguns anos depois do nascimento de Louise, os seus pais tiveram outra menina, Natalie, também nascida por fertilização in vitro (FIV).

A fertilização in vitro significou, sem dúvida, uma revolução na Medicina Reprodutiva e é considerada como um dos mais notáveis avanços médicos do século XX.

 

Histórico

Em 1983, nascia Ana Paula Candeia, o primeiro bebê de proveta no Brasil, sendo o primeiro por óvulos doados.

O primeiro ser humano a se desenvolver a partir de um embrião criopreservado nasceu na Austrália em 1984 e é conhecido como Baby Zoe.

Em 1985 ocorreu o primeiro nascimento por meio do útero de substituição.

Em 1987, nascia o primeiro bebê após a utilização de óvulo congelado.

Houve uma evolução no tratamento da FIV. Há trinta anos, o primeiro passo do tratamento consistia no estímulo à produção de óvulos e espermatozoides por meio de substâncias sintéticas que ainda eram muito impuras.

Hoje, os hormônios são mais avançados e mais puros. Antes, não havia uma maneira precisa de acompanhar o amadurecimento do óvulo no organismo feminino, hoje utiliza-se o ultrassom vaginal.

Antes, a coleta dos óvulos era realizada por meio de laparoscopia, com a necessidade de anestesia geral e internação hospitalar. Hoje, o procedimento se dá via transvaginal, por meio de uma guia acoplada ao ultrassom, necessitando apenas da sedação da paciente. Os óvulos são aspirados, analisados em laboratório e unidos aos espermatozoides – fertilização – para serem implantados no útero três dias após a coleta, ou cinco dias.

Antes, não havia o controle para evitar gravidez múltipla, pois eram transferidos inúmeros embriões. A evolução das técnicas viabiliza a implantação de um número cada vez menor de óvulos fertilizados.

 

O segundo marco na Medina Reprodutiva

A Fertilização in vitro com ICSI – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide – foi o segundo grande marco na história da ciência da reprodução humana, depois do nascimento de Louise Brown, o primeiro bebê gerado pela fertilização in vitro – FIV.

Em 1991 Gianpiero Palermo, do Centro de Medicina Reprodutiva da Vrije Universiteit Brussel, sob a direção de Paul Van Devroey e Andre Steirteghem, realizou o procedimento introduzindo o espermatozoide no citoplasma do óvulo maduro, por meio de uma microscópica injeção com microagulha de espessura interna de 6 microns, sete vezes menor que um fio de cabelo.

Houve a fertilização e o embrião foi transferido para o útero da mãe, nascendo, então, o primeiro bebê produzido pela ICSI.

 

Avanços

A Medicina Reprodutiva avançou muito nas últimas três décadas, com recursos tecnológicos que possibilitam realizar o tratamento de maneira mais precisa, com técnicas menos invasivas e mais sofisticadas, melhorando as perspectivas de um bom resultado.

E a evolução continua com técnicas como: a criopreservação de embriões, maturação de gametas in vitro, cultura de embriões até blastocistos, injeção de espermátides, troca de citoplasma, óvulo-doação, biópsia e aspirado testicular e de epidídimo, diagnóstico pré-implantacional e a maturação de gametas.

 

 

CONHEÇA AS PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES DA RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/13:

Brasília, 16 de abril de 2013

 

IDADE DA PACIENTE – a idade máxima das candidatas à gestação de reprodução assistida é de 50 anos.

DOAÇÃO COMPARTILHADA – o CFM libera que uma mulher, em tratamento para engravidar, doe parte dos seus óvulos para outra mulher, em troca do custeio de parte do tratamento. Estabeleceu-se também um limite de idade da doadora: 35 anos.

IDADE LIMITE PARA DOAÇÃO DE ESPERMATOZOIDES – 50 anos.

ÚTERO DE SUBSTITUIÇÃO – Ampliou-se para parentesco consanguíneo de até 4º grau (incluindo mãe, irmã, avó, tia e prima).

TRANSFERÊNCIA – A nova redação também deixa mais claro quanto ao número de embriões a serem transferidos no caso de doação: estes devem respeitar o critério de idade da doadora e não da receptora.

DESCARTE – os embriões criopreservados acima de cinco anos, poderão ser descartados se esta for à vontade dos casais.

HOMOAFETIVIDADE – É permitido o uso das técnicas de reprodução assistida para relacionamentos homoafetivos e pessoas solteiras, respeitado o direito da objeção de consciência do médico.

COMPATIBILIDADE HLA – as técnicas de reprodução assistida podem ser usadas para seleção de embriões compatíveis com algum filho do casal afetado por alguma doença que necessite de um transplante.